Giay transforma desconfiança em resposta e ganha força em reviravolta da torcida
O gol colocou Giay no centro de uma discussão que começou no primeiro tempo. A questão deixou de ser apenas sobre críticas e passou a envolver encaixe táti...
O gol colocou Giay no centro de uma discussão que começou no primeiro tempo. A questão deixou de ser apenas sobre críticas e passou a envolver encaixe tático
Giay começou a partida sob desconfiança. Escalado como ala em um sistema com três zagueiros, o argentino parecia ser um dos pontos que mais exigiriam ajustes no Palmeiras. A função pedia participação ofensiva, amplitude e capacidade para recompor rapidamente. Nos primeiros minutos, porém, a atuação ainda parecia pouco assertiva, justamente em um setor que o Verdão procurava explorar com frequência.
Só que futebol também é um jogo de leitura e Giay foi entendendo a partida à medida que ela avançou. Com o sistema de três zagueiros mais ajustado, o argentino passou a encontrar espaços diferentes para atuar, sem precisar carregar sozinho a responsabilidade de construir todas as jogadas pelo corredor. A atuação ganhou fluidez e, principalmente, segurança.
A diferença apareceu pela maneira como Giay passou a ocupar o campo participando mais das ações pelo lado direito, aproximou-se dos companheiros e conseguiu atacar espaços com mais convicção. Aquela primeira impressão de improviso foi dando lugar a uma atuação mais funcional dentro da estrutura pensada por Abel Ferreira.
Giay foi construindo uma resposta ao longo da partida. Quanto melhor o Palmeiras se organizava, mais natural parecia a participação do argentino no sistema de três zagueiros. O crescimento ganhou seu capítulo mais importante quando o camisa 4 fez seu primeiro com pelo Palestra. Giay aproveitou uma jogada que começou justamente com um dos elementos que mais faltavam ao Palmeiras naquele momento.
Torcida se empolga com reviravolta de Giay
Com um arranque capaz de quebrar a primeira linha adversária. Vitor Roque, que vinha praticamente desaparecido da partida, conseguiu acelerar a jogada e abriu o caminho para a sequência que terminou com Giay aparecendo para marcar.
Na rede social X, a torcida foi à loucura com a reviravolta de Giay: “O Cafu está aflorando dentro do argentino”, postou um perfil palestrino. Outro partiu para ‘textão analítico: “Critica o Giay = não entende nada de futebol.Lateral defensivo que nunca compromete na defesa e vive salvando o time, unica coisa que faltava pra ser um lateral perfeito era a parte ofensiva, que ta melhorando cada vez mais”.
Giay, fez exatamente o que um jogador de corredor precisa fazer em determinadas circunstâncias: acompanhou a jogada. Não ficou preso à posição inicial, percebeu o espaço e apareceu na área para concluir. O gol, como uma estrutura mais ajustada pode potencializar movimentos que, minutos antes, pareciam pouco naturais.
Depois do gol, a atuação de Giay passa a ter outro peso na leitura da partida.Isso também coloca o sistema de Abel Ferreira no centro da discussão. Neste caso, a movimentação de Giay mostrou que a estrutura pode oferecer uma alternativa interessante para o Palmeiras, sobretudo quando o jogador consegue receber liberdade para atacar sem deixar de contar com cobertura.
O Tigrinho ressurge
O gol ainda deixa uma provocação importante sobre Vitor Roque. Quando conseguiu acelerar, apareceu uma das características que justificam a confiança depositada por Abel após polêmicas. O suficiente para lembrar que o problema não está necessariamente na ausência de recursos, e sim na dificuldade de fazer essas características aparecerem com frequência.
Para o Palmeiras, essa diferença é fundamental. Em uma partida de mata-mata, não basta encontrar uma solução isolada. O time precisa criar mecanismos que façam essas jogadas acontecerem mais vezes. Giay apareceu para finalizar porque a jogada ganhou velocidade e encontrou espaço. Vitor Roque conseguiu produzir porque teve campo para acelerar. São movimentos que podem ser explorados novamente, desde que o coletivo consiga oferecer as condições necessárias.